© Sandra Cruz

Novembro 23, 2009

(exposição) Se numa noite de Inverno um viajante de Italo Calvino




Título Introdução - Desenvolvimento – Conclusão



Estás para começar a ler o novo romance Se numa noite de Inverno um viajante de Italo Calvino. Descontrai-te. Recolhe-te. Afasta de ti todos os outros pensamentos. Deixa que o mundo que te rodeia se esfume até se tornar indistinto. A porta é melhor que a feches; (…) (p.21)

(…) Mas depois prossegues e dás-te conta de que o livro se deixa ler apesar de tudo, independentemente daquilo que esperavas do autor, é o livro em si que te desperta curiosidade, e pensando bem até preferes que seja assim, encontras-te perante qualquer coisa que ainda não sabes muito bem o que é. (p.26)

Italo Calvino in Se numa noite de Inverno um viajante

Trad. Mª de Lurdes Sirgado Ganho & José Manuel de Vasconcelos
col. provisórios e definitivos, Vega, 1985
1ª ed.

Concepção Por vezes fazemos batota, corremos de olhos fechados do princípio para o fim, sem olhar o meio (ou será aos meios?).
.
Distraio-me a espaços. Voltei a atrasar os meus recados pelo que percebi que não leria o livro. No outro dia li: Uma constitucional perturbação da vontade e uma ânsia, paralelamente paralisante, de sobre tudo dizer tudo, sem falha, falta ou fraqueza, fazem com que eu ponha em tudo o que faço uma demora que acaba por me apavorar até à acção, e que comece essa acção por um pedido de desculpas de tanto ter demorado.*
Não li o livro para a feitura do trabalho. (não esquecer: ter um livro em detenção de leitura é uma requintada forma de suplício) Eis-me então perante um autor que estimo, peguei na sua obra e li apenas inícios e fins de romances, deixei-me cometer deduções. Cogitei acerca da origem e da conclusão do título. Li sem remorso primeiras e últimas frases. Fiz desenhos e cálculos auxiliares; fiz corte e cose. Assim, sem mais nem menos: saltei da introdução para a conclusão. [deixando por preencher o desenvolvimento – não sei encaixar esta ideia]
Pensei “Sou uma viajante nesta hora de Inverno.” e muitas outras coisas que narrei para mim como se fora eu própria a leitora.
Amanhã inicio a leitura.


* Excerto de carta de Fernando Pessoa a Jaime Cortesão, in "Obra essencial de Fernando Pessoa, Cartas"
(lido em http://welcometoelsinore.blogspot.com/2009/02/se-alguem-houve-que-disse-tudo-foi-ele.html acedido a 18/FEV/2009)


Sandra Cruz (margarete)



Cálculos auxiliares: P__________(…)____________ F


Se numa noite de névoa de Inverno El Rei Dom Sebastião um viajante numa estação de caminho-de-ferro

fotografia p&b de impressão de imagem digital do
Retrato de D. Sebastião de Cristóvão de Morais*
* 1571, óleo sobre tela, 99 x 85 cm
Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, Portugal


(Nikon D80)



Numa rede de linhas que se intersectam especular reflectir
(aquilo que me circunda, consegui tornar-me o todo)

Espelho, cola, cartolina, tu
O teu reflexo - a risível questão do todo
Especulação e geometrias - espaço reflexo


pormenor de
Numa rede de linhas que se intersectam especular reflectir
(aquilo que me circunda, consegui tornar-me o todo)

[ Especular, reflectir: toda a actividade do pensamento me remete para os espelhos.
Primeira frase do romance “Numa rede de linhas que se intersectam“ p. 159 ]

Agora parece-me que tudo aquilo que me circunda é uma parte de mim mesmo, que eu consegui tornar-me o todo, finalmente…


Última frase do romance “Numa rede de linhas que se intersectam“ p. 165
 
 

especular reflectir (tornar-me o todo)


preparação do trabalho
Numa rede de linhas que se intersectam especular reflectir
(aquilo que me circunda, consegui tornar-me o todo)

foto de Carlos Veríssimo

]ele[





pormenor do trabalho de Carlos Veríssimo

«Nota Descritiva de Concepção

A “corporalidade do acto” é um momento recorrente no livro, cuja dinâmica é em torno do leitor. Em sequência, deu-se corpo ao leitor. Este é livre enquanto homem, mas refém de si mesmo enquanto parte do livro, e ambos, são afinal um só.

O peso que se pretende transmitir é o do processo de vivências – paixão/ódio, e tentativas de fuga - retorno, do homem quando percebe que afinal é o livro que lê, e vê nele todos os silêncios, até os impossíveis. O livro tem o olhar do vazio sobre o homem e este procura o reflexo no reflexo – e palavras para construir ideias.

“vivemos num mundo de histórias que começam e não acabam.”

No culminar, entende Calvino que “o sentido último para que remetemos todas as histórias tem duas faces: a continuidade da vida e a inevitabilidade da morte”, pelo que na busca da imortalidade e da particularidade de desejar ser Deus o homem entrega-se a ser o livro.»

Novembro 03, 2009

Se numa noite de névoa de Inverno El Rei Dom Sebastião um viajante

Estás para começar a ler o novo romance Se numa noite de Inverno um viajante de Italo Calvino. Descontrai-te. Recolhe-te. Afasta de ti todos os outros pensamentos. Deixa que o mundo que te rodeia se esfume até se tornar indistinto. A porta é melhor que a feches; (…) (p.21)
(…) Mas depois prossegues e dás-te conta de que o livro se deixa ler apesar de tudo, independentemente daquilo que esperavas do autor, é o livro em si que te desperta curiosidade, e pensando bem até preferes que seja assim, encontras-te perante qualquer coisa que ainda não sabes muito bem o que é. (p.26)

Italo Calvino in Se numa noite de Inverno um viajante
Trad. Mª de Lurdes Sirgado Ganho & José Manuel de Vasconcelos
col. provisórios e definitivos, Vega, 1985
1ª ed.
Título: Introdução - Desenvolvimento – Conclusão
Concepção: Por vezes fazemos batota, corremos de olhos fechados do princípio para o fim, sem olhar o meio (ou será aos meios?). 
Cálculos auxiliares: P__________(…)____________ F


fotografia p&b de impressão do Retrato de D. Sebastião de Cristóvão de Morais*

* 1571, óleo sobre tela, 99 x 85 cm
Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, Portugal
por Sandra Cruz aka margarete

o que tu queres sei eu bem: festa! :) estão todos convidados


...fica o convite para a festa do ano! 
Coimbra A - Coimbra B
07 de Nov às 22.15

O viajante

O viajante é um projecto multidisciplinar, centrado no cruzamento de diversas leituras fotográficas de um romance de Italo Calvino, Se Numa Noite de Inverno Um Viajante. Nele, Calvino propõe construir um romance a partir de diferentes começos, fragmentos narrativos que conduzem o leitor a lugares distintos, construindo tipologias que organiza segundo categorias que funcionam numa lógica simbólica e interpretativa que vai da névoa, da atmosfera ao apocalipse.

A viagem é um tema eminentemente fotográfico e o fotógrafo tem sido, desde o início, um viajante, um observador e uma testemunha. Alguém que se desloca e ao deslocar-se altera o seu ponto de vista. As fotografias resultantes são fragmentos, vistas parciais, possibilidades de ponto de vista que nos dizem do lugar do fotógrafo e do que tinha em frente; não nos dizem nada. Mas são todas potenciais narrativos e por isso, quando se cruzam com o espectador, dizem tudo. Esta ambiguidade, que a natureza da fotografia lhe empresta, torna-a num instrumento privilegiado para pensar a nossa relação com o mundo, e construir a nossa própria narrativa. Tal como a pintura, a fotografia é una cosa mentale.

O que se apresenta é uma rede organizada a partir de um conjunto de pontos de vista de diferentes observadores-leitores-fotógrafos construídos a partir das possibilidades narrativas propostas por Calvino e esta rede é tecida a partir de leituras deste núcleo inicial envolvendo diversas práticas artísticas da palavra à escrita, do som à performance, da pintura ao vídeo.

O viajante é uma experiência colectiva proposta aos sentidos do leitor-espectador. Não por acaso, o romance começa numa estação de caminho de ferro…

Francisco Feio 

Outubro 02, 2009

(árvore com iluminação)

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Setembro 17, 2009

início da relação

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biclas

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at your doorstep

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natureza morta

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mercearia

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all night long

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um caderno e um bagaço

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companheiras

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Abril 14, 2009

post adenda

não me esqueci de publicar os resultados da minha zenit, é o tempo amigos... é o tempo que me tem atropelado :-| já cá venho...

Abril 03, 2009

finalmente nasceu! (é uma menina e chama-se zenit 11)

Click to close
Planos para este fds:

#1 limpar a minha menina nova
#2 botar-lhe o rolo
#3 preparar o meu 1º bloco de anotações - a ver se é desta que manobro essa coisa da luz, da velocidade e da abertura*
#4 ir para a rua :)


* já encontrei o manual de poesia (em russo) da zenit 11 (Family: Manual 35mm SLR cameras without TTL, Line ZENIT-E)

Zenit-11Zenit-11Zenit-11Zenit-11Zenit-11Zenit-11


imagens de manual online

Março 25, 2009

Coimbra Industrial _Exposição [ update ]

Os saudosos abriram portas sobre as suas labutas distractivas dos dias inúteis. A visão díspar de 12 auto-apelidados Saudosos da Indústria sobre destroços, rumores do trânsito de operários entre paredes industriais abandonadas.

A lotação esgotou, a festa aconteceu. Performances e instalação no sótão e nas escadas, leitura de poesia
(21 de Março!, dia da poesia), exposição de protótipos industriais e salvados, exibição de vídeos e lençol fotoshow com várias séries dos saudosos da indústria, venda de catálogos e impressões, Dj’s e bar a preço justo. A festa aconteceu indeed.






Participantes

Ilustres convivas

Afonso Macedo, António, Arthur van Der Hella, Cláudia Santos Silva, Fátima Séneca, FJ, Francisco Rubio, João Condinho, Josef B., Luís Almeida Gonçalves, Mané, Paulo Mora, Raquel Sebastião, Teresa Carrington e Victor Lamas.

12 saudosos da indústria

O Lugar Geométrico - Alda Reis , Açores - Ana Teixeira , A caminho do Novo Mundo seja lá onde ele for - Carlos Júlio , Moldes - DrGica, Francisco Feio, Das Kapital - Hugo Besteiro, Arqueologia Industrial - José Paulo Andrade, Sociedade de Porcelanas de Coimbra - José Pedro Reis, inside-out - Maria Antónia Ferro , Contrastes - São Ataíde, Dar o Corpo ao Manifesto Industrial - Carlos Veríssimo, Fátima Feliciano e Sandra Cruz.




Ontem recebemos a visita das gentes (professores de vídeo e fotografia) da école supérieure d’art d’Aix-en-Provence, França, por mão do nosso caríssimo Francisco Rubio, a quem se apresentou a Casa da Esquina e o projecto Coimbra Industrial.

Ali dei de caras com mais uma generosa dedicatória aos saudosos :)



entretanto, para quem não conseguiu ir no Sábado, não se esqueçam, podem visitar a exposição durante esta semana no
nº 6 da Rua Aires de Campos em Coimbra
A CASA DA ESQUINA.

(ao Penedo da Saudade; vizinhança: Carmelitas)

Horário: 17 às 19h e 21 às 23h, período em que temos chá e bolo para partilhar




~ ~ ~

Arrumadas por aqui... Salvo em excepções devidamente assinaladas, as fotografias publicadas são de minha autoria. Sirvam-se à vontade!

(encontrarão posts com fotografias repetidas, a causa prende-se com uma importação que fiz doutros blogs onde publico, não os eliminei porque como não desejei ocultar o respectivos comentários)

:)

margarete

acknowledgeyourself@gmail.com


películas

kodak (et al) para mais tarde recordar...